PUBLICADO NA FOLHA DESTA
QUARTA-FEIRA

Aloysio Nunes
Ferreira
Em face da reintegração
judicial de posse da área conhecida como Pinheirinho, em São José dos Campos,
o PT montou uma fábrica de mentiras para divulgar nas próximas campanhas
eleitorais.
Em respeito aos leitores da Folha, eis as mentiras, seguidas da verdade:
Mentira 1: “O governo
federal fez todos os esforços para buscar uma solução pacífica”.
Verdade: Desde 2004, a
União nunca se manifestou no processo como parte nem solicitou o deslocamento
dos autos para a Justiça Federal. Em 13 de janeiro de 2012, oito anos após a
invasão, quando a reintegração já era certa, o Ministério das Cidades
– logo o das Cidades, do combalido ministro Mário Negromonte
– entregou às pressas à Justiça um “protocolo de intenções”. Sem
assinatura, sem dinheiro, sem cronograma para reassentar famílias nem
indicação de áreas, o documento, segundo a Justiça, “não dizia nada”, era uma
“intenção política vaga.”
Mentira 2: “Derramou-se
sangue, foi um massacre, uma barbárie, uma praça de guerra. Até crianças
morreram. Esconderam cadáveres”.
Verdade: Não houve,
felizmente, nenhuma morte, assim como nas 164 reintegrações feitas pela
Polícia Militar em 2011. O massacre não existiu, mas o governo do PT divulgou
industrialmente a calúnia. A mentira ganhou corpo quando a “Agência Brasil”,
empresa federal, paga com dinheiro do contribuinte, publicou entrevista de um
advogado dos invasores dando a entender que seria o porta-voz da OAB,
entidade que o desautorizou. A mentira ganhou o mundo. Presente no local, sem
explicar se na condição de ativista ou de servidor público, Paulo Maldos,
militante petista instalado numa sinecura chamada Secretaria Nacional de
Articulação Social, disse ter sido atingido por uma bala de borracha. Não fez
BO nem autorizou exame de corpo de delito. Hoje, posa como ex-combatente de
uma guerra que não aconteceu.
Mentira 3: “Não houve
estrutura para abrigar as famílias”.
Verdade: A operação foi
planejada por mais de quatro meses, a pedido da juíza. Participaram PM,
membros do Conselho Tutelar, do Ministério Público, da OAB e dos bombeiros. O
objetivo era garantir a integridade das pessoas e minimizar os danos. A
prefeitura mobilizou mais de 600 servidores e montou oito abrigos. Os abrigos
foram diariamente sabotados pelos autodenominados líderes dos sem-teto, que
cortavam a água e depredavam os banheiros.
Mentira 4: “Nada foi
feito em São Paulo para dar moradia aos desabrigados”.
Verdade: O governo do
Estado anunciou mais 5.000 moradias populares em São José dos Campos, as
quais se somarão às 2.500 construídas nos últimos anos. Também foi oferecido
aluguel social de R$ 500 até que os lares definitivos fiquem prontos. Nenhuma
família será deixada para trás.
Entre verdades e
mentiras, é certa uma profunda diferença entre PT e PSDB no enfrentamento do
drama da moradia para famílias de baixa renda. O Minha Casa, Minha Vida só
vai sair do papel em São Paulo graças ao complemento de R$ 20 mil por unidade
oferecido pelo governador Geraldo Alckmin às famílias de baixa renda. Sem a
ajuda de São Paulo, o governo federal levaria 22 anos para atingir sua meta.
O PT flerta com grupelhos
que apostam em invasões e que torcem para que a violência leve os miseráveis
da terra ao paraíso. Nós, do PSDB, construímos casas. Respeitar sentença
judicial é preservar o Estado de Direito. É vital que esse princípio seja
defendido pelas mais altas autoridades. Inclusive pela presidente, que
cometeu a ligeireza de, sem maior exame, classificar de barbárie o
cumprimento de uma ordem judicial cercado de todas as cautelas que a
dramaticidade da situação exigia.
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