31 outubro 2011

This is Not a Love Song ou Uma Pedrada no Seu Saco, Amigo Fortalezense...




  Sempre fui um curitibano orgulhoso, nasci e cresci numa das cidades mais civilizadas e organizadas do Brasil, segundo a noção corrente. Escolhi Fortaleza por gosto, por afinidades, por deslumbre e por qualidade de vida. Não suportava mais metrópoles, Rio, São Paulo, com seus congestionamentos intermináveis e perigos por vezes violentos, inerente às selvas de pedra.

  O Ceará é previlegiado, apesar das inúmeras limitações e entraves logísticos, infra estrutura ainda primária em alguns casos. Amo a terra, o clima, sua gente, seu humor singular, suas maravilhas gastronomicas e turísticas. Algumas das praias mais belas e encantadoras do planeta estão pertinho de mim. No máximo, a algumas horas de carro. No mínimo, dez minutos de casa.

 Não acho que criticar a cidade em que se vive seja sinal de preconceito ou soberba. Acredito ser este o papel do cidadão. Eu amo o Ceará, e digo o que penso justamente por me indignar de ver algo operando muito abaixo do seu potencial, sendo às vezes tão simples alavancar e melhorar as coisas simples.

 O cearense é um tipo único. Nunca vi gente tão bem humorada quanto aqui. Ri das adversidades, faz piada de tudo, é bonachão, é sarcástico, crítico. E é diferente do cearense que vai pro sul, que parece que perde esse senso de humor pela BR-116, e vira um autômato conformado com seu destino. Aqui, não. O sorriso é cortesia da casa, exalando simpatia e generosidade.

 Tudo aqui é grandioso : o melhor sorvete do mundo, a melhor boate do mundo, a melhor FM do mundo, o melhor colégio do mundo, a melhor barraca de praia do mundo, as mulheres mais gostosas do mundo, os seres humanos mais inteligentes do mundo. Faz parte do bairrismo, e da levada humoristica do cearense. Acho.

 Sabe-se que Fortaleza é uma das principais capitais do Brasil, das mais populosas e por ser absolutamente plana, dá a impressão equivocada de cidade do interior, pra quem vem de um grande centro. Quem conhece, por exemplo, Bauru ou Campinas vai entender o que estou querendo dizer. A cidade é grande, democrática como poucas das que eu conheci na longa jornada, e posso garantir que não foram poucas.

Aqui se tem uma impressão de liberdade impressionante. Apesar do crescimento desordenado, Fortaleza manteve uma certa lógica e é fácil se encontrar na cidade. Estou aqui a quatro anos. Mudei meu título de eleitor pra cá. Assim que eu puder, vou voltar pra Praia do Futuro, sou apaixonado por aquilo lá.

 Infelizmente, esta cidade e esta população estão jogados às traças. Cheguei no ano da reeleição da Luizianne. De cara, me chamou a atenção o fato da campanha petista ter sido calcada no "nós vamos fazer" ao invés do "nós vamos continuar a fazer". Como o PT tem um discurso incompreensível e mutante usualmente, pois dizem uma coisa e fazem outra, achei que era apenas uma maneira diferente de se comunicar com os eleitores nativos.

  Mas o tempo foi passando, e compreendi, afinal, que o PT daqui segue mesmo a diretriz nacional. Ou seja, pinta um quadro maravilhoso, a tal da "Fortaleza Bela"quando na verdade a situação é vexatória. Eles não podiam usar o discurso do "nós vamos continuar a fazer" porque tinham feito muito pouco, ou nada. Repete-se uma mentira até virar verdade. Mais surpreso ainda fiquei quando realizei que o governo estadual copiava a marmota, sem mudar uma virgula. Será que inventaram essa parada por estas bandas ? Coitado do meu amado Ceará...

 Violência ? Corrupção ? Má gestão ? O balaio dos gatos é infinito...mesmo assim, somos, hoje, oficialmente uma sede de Copa do Mundo. O mundo olha pra Fortaleza, o mundo vai querer estar aqui. Fico imaginando o inicio da transmissão televisiva pra todo o planeta com imagens espetaculares de Jericoacoara em full HD, de Canoa Quebrada, do Cumbuco, da Praia de Iracema com sua festa inigualável, tradicional encontro de torcedores em épocas de Mundial.

 Jogue quem jogar aqui, a atenção que a sede desperta é global. Equipes de TVs do mundo todo cá estarão , registrando a rotina das seleções, mas também o dia a dia da cidade, suas mazelas e seus encantos. Isso é divertimento, curiosidade, ah ! esses exóticos brasileiros. Aposto que a panelada vai virar produto de exportação, em latas de um quilo.

  Inegavelmente, o próximo prefeito vai ter grandes problemas. Falta de recursos é o mais óbvio. Obras superfaturadas atrasadas, com as receitas desaparecidas em bolsos nada republicanos é uma realidade inabalável. Vou ter que, obrigatoriamente, torcer pro meu candidato a prefeito perder, porque ele entrará num poço tão profundo que provavelmente não sobreviva (politicamente) pra contar a história.

Claro que o povão, que mora em favela e não gosta de política, jamais fará a opção pelo mais competente e/ou o mais honesto. Ou teremos o continuismo da inanição, ou algum Midas que dirá ter a "solução" pra tudo, enganando mais uma vez o Zé Povinho. Seja quem for, pobre desgraçado.

 Urge não apenas duplicação de avenidas, obras e trens mirabolantes, esse decano chamado Metrofor, aquários fantásticos ou portos subdimensionados pelo absurdo custo. Acho até que precisa mesmo. Tem que haver outras opções além das prostitutas que estupram, digo, ocupam,  a bela praia de Iracema, principal cartão posta da Capital. O legado tem que ser mesmo proveitoso, e inteligente, acima de tudo.

   O mais urgente é educação e fiscalização. Não é possível uma cidade que se pretende metrópole não exigir que o cidadão comum recolha o cocô do seu cachorro da rua. Não é possível mais se permitir esse mundaréu de construções irregulares, laje em cima de laje, sem planejar, sem um orgão competente aprovar ou fiscalizar, peo menos.

 Os políticos pouco fazem, Ministério Publico e OAB poderiam cobrar, mas tem muitos interesses em jogo. Por isso, vomitarei minha opinião.

 Não se concebe mais no mundo dito civilizado a imundície e o descaso com o lixo na rua. Das calçadas por vezes criminosas, sem nenhum padrão, esburacadas, sujas. Do uso irregular do solo pelos camelôs que impedem a passagem nas ruas e desautorizam a contemplação das pérolas arquitetônicas e ferem constantemente o sagrado direito de ir e vir.

 Nem vou citar o prejuizo acarretado pelo comércio informal, nem o absurdo de se vender livre e impunemente um contrabando, sem nota, sem qualidade, sem imposto.  Digo que orelhão funcionando é mais difícil que achar cem dólares na rua. O motorista daqui não respeita o pedestre, e tem uma inexplicável fascinação pelo som da sua própria buzina.

 Postes, fios e gambiarras são escandalosos, uma profusão muitas vezes incompreensível e desordenada.

 A não ser em alguns restaurantes mais badalados, ou no tradicional circuito percorrido pelo turista, não se vê cozinheiro usando luva e touca. Vem melhorando bastante, é verdade. Mas ainda é ultrajante a condição que se observa em bairros mais afastados.

Aquelas bancas de carne e peixes expostas ao sol, como acontece diariamente na Gomes de Mattos, no Montese, nas feiras de rua e informais em outros bairros populares, sem procedencia, sem data de validade, sem temperatura adequada, é um atentado a saude pública. O povo, pobre diabo, tem pouca opção, é o que sua miséria pode sustentar. Fiscal ? Jamais vi um.

 A população, alheia e desconhecedora dos seus mais elementares direitos, defende as barracas irregulares nas praias ardentemente, um acinte a Lei Federal e ao direito desse próprio cidadão. Ignorantes. Dizem que gera riqueza, empregos, como se no resto do Brasil ( e do mundo ) aonde se respeita a Lei e a Mãe Natureza isso não acontecesse. Basta reordenar, tem muito terreno a ser ocupado legalmente lá.

 Mas ao invés de se encarar como uma oportunidade, em vez de procurar novos investimentos privados, novas possibilidades de receitas, enfim, uma revitalização, uma necessária modernização, inclusive das muitas áreas há muito abandonadas, se vê como um absurdo...mexe com demasiados interesses, sempre eles...trabalhar cansa.

  Acontece também assim com a ocupação irregular das Dunas, do abandono do parque do Cocó, do poluído Rio Maranguapinho. A população, coitada, tenta sobreviver e não tem noção das leis, nem de que sua ocupação ou uso irregular traz malefícios muitas vezes eternos. A culpa, como sempre, é do Poder Público.

 Tão zelosos quando se trata de interesses próprios...mas jamais pensam na coletividade. Preocupadíssimos com suas verbas e mamatas, pensam apenas em assaltar o nosso dinheiro. Até de banheiro público se desvia verba por aqui...mas fiscalizar pra que ?

Se faz parte da cultura colocar os sacos de lixo no meio dos canteiros centrais, com cães atravessando perigosamente as ruas pra rasgar e espahar o lixo, ameaçando a segurança e a saúde da população, pra que mexer com isso ? Não dá voto. Com trintão você compra um trezoitão na feira da Parangaba, vi com meus próprios olhos.

  Tanto no Estado, quanto no município, não existe oposição, com poucas e lúcidas excessões. Tem pouco peso, por isso, nem incomodam mais. Quase todos aderiram as tetas, e sugam ganaciosamente. Milionários surgem aos borbotões. Carro importado tem tanto quanto lagosta barata. Mas o asfalto pra eles rodarem....dizem que é feito de misterioso cebion preto, é só chover, ele ferve e some. Ou afunda como uma dedada num pudim. Asfalto de péssima qualidade a preço de "asfalto a quente", o dito do bom.

 Não, não vou aderir aquele blá-blá-blá de que precisa de segurança, escola e hospital. Isso é óbvio, translucido como água pura. Sei que dá voto, mas é 171, é estelionato falar que vai inaugurar um Hospital da Mulher, lindo, moderno, quando se sabe que não tem um real pra comprar nenhum equipamento, nenhuma maca, e que nem médico pra pôr lá se tem previsão de contratar.

 Proponho ao próximo prefeito coragem, seja quem for, de que partido for, pra dar um choque de realidade no fortalezense. Multar, coibir, expulsar, cobrar, processar, exigir. Mas principalmente, educar. Chamar e mobilizar a população prum salto qualitativo ímpar em relação à qualidade de vida na cidade. Quem sabe entrar pra história como um 'case' a ser seguido. Organizar tudo, dar um banho de loja mesmo. Gerir. Gerenciar. Dar a carinha pra bater, e não ficar secando bunda de repórter.

 Obrigar os proprietários de imóveis a cumprirem a Lei, seguir cegamente o Plano Diretor, doa a quem doer. Exigir uma vigilância sanitária atuante. Normatizar e coibir a poluição visual, esse agressivo marketing de placas, luminosos e afins, muitas vezes de gosto duvidoso, isso foi feito com relativo sucesso no Rio e em São Paulo.

 Cobrar do Estado, do 'seu' Cid Gomes a tão necessária segurança, uma mehor ogística pro bem intencionado mas inoperante Ronda do Querteirão. Até porque Fortaleza não merece ficar deserta depois das nove da noite, com medo de sair as ruas a noite, assalto certo.



Incentivar essa juventude a embelezar a cidade.

 Eu fico sinceramente sentido quando vejo tantos prédios históricos, uma arquitetura exuberante desrespeitada, abandonada , podre, mal conservada, como existem ás dezenas no Centro e arredores. Abre centro cultural, cinema, biblioteca, sei lá, mas pelo menos obrigue o dono a manter em ordem, é uma responsabilidade dele, não é só pagar o IPTU e tá tudo certo. Não é arrecadou e pronto. O imóvel tem uma função social, afinal de contas. Tem que agregar a paisagem, não feri-la de morte.

Toma uma atitude, pelo amor de Deus.

 O mato do Parque Rio Branco, com suas centenas de gatos sujos e magérrimos é um desrespeito ao cidadão que vai lá usufruir da sua caminhada, do seu momento de lazer ou esporte com a família. Tem que revitalizar o Mercado do Virgílio Távora e tantos outros. Bota umas bandas pra tocar a noite, ilumina, integre e agregue valor lá.

 Lagoas lindas sujas e com mato do tamanho de um prédio de dois andares, algumas fétidas, chega a ser revoltante...vamos cuidar melhor da cidade, todos nós. Mas é o senhor que assinará o cheque e a ordem de serviço.

 Próximo prefeito, ofereça qualificação urgente em atendimento, principalmente no comércio e nos restaurantes. Chama o Sebrae, o Senai, a Unifor, a Fiec, me chama, próximo prefeito, chama qualquer um, chama o escambáu, mas qualifica esse povo, prepara pras oportunidades que estão já aqui, na nossa porta.

  Chama essa responsabilidade pro senhor, porque o Cid já demonstrou que não vai fazer, e o PT prefere o povo desse jeito mesmo. Se, por acaso, o senhor for do PT, lhe rogo bom senso e ética, mesmo sabendo que vocês não não nada fluidos nem iniciados nesses assuntos.

  Os hotéis até acho que estão num bom nível. Mas não vejo um garçom habilitado a anotar um pedido em inglês, por exemplo. Poucos taxistas falam outra língua.

  Aproveita e avisa a Etufor e os motoristas de ônibus que o povo não é gado, que é perigoso fazer uma curva bruscamente, por diversão, porque tem gente em pé, pode cair, se machucar. Que a noite não é pra tirar racha. Diz pro povo também que não adianta fazer fila pra esperar o ônibus no terminal, se na hora que a porta abre todos avançam selvagemente, desrespeitando e subjugando mulheres e menos espertos, as vezes de maneira agressiva e escrota.

 Diz que a porta da frente é pra idoso e gestante, não pro gaiato que quer viajar sentado, dane-se o resto que está pacientemente na fila.. Divulga que não se joga lixo pela janela, nem do carro, nem do ônibus, nem do apartamento.

  Temos pouco tempo e muito a fazer. Sem um comprometimento da população, será muito mais complicado. Criticas irão surgir, até pela urgência das coisas ficarem prontas a tempo.

 Começe pela juventude, próximo prefeito. É o caminho mais fácil. Leve em consideração o poder de entusiasmo que a Copa vai proporcionar a esta geração de 15 a 25 anos, que será eternamente glorificada como a geração da Copa em Fortaleza. Dê-lhes histórias inesquecíveis pra contar. Envolva-os nos processos, nas cobranças, dê condições pra eles atuarem. Apenas organize e dê as diretrizes.

Aproveita e politiza essa moçada. Terás um considerável número de eleitores eternos nesta geração, se lhes propiciar aquela palavrinha mágica chamada oportunidade.

 Viveremos um momento histórico, próximo prefeito. Até jogo do Brasil vai ter no Castelão. Quem sabe Itália, Argentina, Alemanha, Espanha, Holanda, Uruguai, França, os ricos japoneses. Não decepcione os que, como eu , amam essa cidade.

 Quero que eles fiquem encantados, e voltem, com suas familias, com seus amigos, com seus parentes gastem muito dinheiro aqui,. Quem sabe alguns até fiquem e invistam por aqui. Assim como eu fiz quatro anos atrás.

 Ah, e eu votaria tranquilamente pra panelada ser o prato oficial da Copa.

Sem mais,

Coxa branca cearense.



Postar um comentário

Comercial para TV Ripz from Marco A. Lelo on Vimeo .